sábado, 12 de novembro de 2011

Guerra e Paz, Leo Tolstoi

" A inteligência humana não compreende a continuidade absoluta do movimento. As leis de um movimento qualquer só são inteligíveis ao homem quando lhe é dado examinar separadamente as unidades que o compõem. A verdade porém é que é desta divisão arbitrária do movimento ininterrupto em unidades isoladas que resulta ao mesmo tempo a maior parte dos erros humanos."


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Stevie Jobs 1956-2011

"Se viveres a vida como se cada dia for o último, um dia terás razão."

"Ser o homem mais rico no cemitério não é o que mais quero. Deitar-me e pensar que criei algo maravilhoso, isso é o que é mais importante para mim."

Picasso tinha um ditado que dizia: Os bons artistas copiam, os grandes roubam. Nós nunca nos envergonhamos de roubar grandes ideias."

" As pessoas pensam que o mais importante é dizer sim, mas não é. o mais importante é dizer não a centenas de boas ideias."

"Estamos aqui para fazer alguma diferença, senão porquê estar aqui?"


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Stevie Jobs 1956 - 2011

"A morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida", afirmou Stevie Jobs, em 2005, frente a uma plateia de estudantes da universidade de Stanford, nos EUA.
 "Lembrar-me de que todos estaremos mortos em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida".

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Jorge Calado, professor universitário

"Hoje o homem e a mulher querem gratificação imediata, mesmo que menos intensa e satisfatória, e a internet é uma rede de auto-estradas do conhecimento que atravessa o mundo."

Albert Schweitzer (1875-1965), filósofo alemão

"Os únicos homens verdadeiramente felizes são os que buscam uma maneira de serem úteis aos outros."

Jean Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo francês

"A espécie de felicidade que me falta, não é tanto fazer o que quero mas não fazer o que não quero."

sábado, 1 de outubro de 2011

Pág.44 As academias - Jorge Calado - Haja Luz

  "Contrariando Aristóteles, Descartes acreditava que o método é independente da ciência (isto é, da natureza do problema em causa), e que a sua validação se fazia através da matemática (cuja exactidão ele achava que podia explicar muito, com muito pouco). O seu famoso Discurso do método de bem conduzir a razão e de procurar a verdade nas ciências: mais a dióptrica, os Meteoros e a geometria que são os ensaios deste método foi publicado em Leiden (Holanda) em 1637. Descartes emigrara para a Holanda em 1629 e passou os últimos vinte anos da sua vida no estrangeiro, onde podia disfrutar de maior liberdade intelectual do que em França. Em 1649, a rainha Kristina da Suécia convidou-o para seu professor. Descartes aceitou ir "viver na terra dos ursos, entre as rochas e o gelo". Não durou muito tempo. Na ânsia de se cultivar e aprender, a rainha marcou as lições para as cinco horas da manhã! Quatro meses depois de ter chegado à Suécia, Descartes apanhou um resfriado, não resistiu aos rigores do Inverno escandinavo e morreu. Mas um país cuja rainha queria ser educada por Descartes estava preparado para produzir um Linnaeus!"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Para evitar as crises, o melhor é viver sempre em crise."
Moreira da Silva, BA Vidros

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez, pág.191

 - De qualquer forma continuou a trabalhar. Tirou a segunda fotografia com o homem morto a seus pés...Pensou no intervalo, que talvez o tenham matado porque você estava ali?...Que o fizeram para que o fotografasse?
 O pintor de batalhas não respondeu. Evidentemente que o pensara. Suspeitava mesmo que era isso que tinha acontecido. Agora sabia que nenhuma fotografia era neutra ou passiva. Todas se repercutiam no meio, nas pessoas que enquadravam. Em cada um dos infinitos Markovic de cujas vidas a lente se apropriava. Por isso Olvido só fotografava lugares e objectos, nunca pessoas; tinha sido objecto das máquinas fotográficas tempo demais para ignorar os perigos. As responsabilidades. Enquanto viajaram juntos pelas guerras, fora ela quem conseguira manter-se à margem, não ele.

domingo, 18 de setembro de 2011

O Pintor de batalhas, Arturo Pérez, pág.165

E quando, diante do tribunal e dos jornalistas, Herak contou, com a mímica oportuna, o assassinato de uma jovem de vinte anos - «ordenei-lhe que se despisse e ela gritou, mas bati-lhe outra vez e ela tirou a roupa, de modo que a violei e a entreguei aos meus companheiros e, depois de todos a violarem, levámo-la de carro até ao monte Zuc, onde lhe dei um tiro na cabeça e a atiramos para uns matagais» -, Faulques, que enquadrava o rosto de Herak no visor da sua máquina fotográfica - um rosto insignificante, vulgar, que em tempos de paz seria considerado próprio de um pobre homem -, baixou-a devagar, sem premir o obturador, com a certeza de que nenhuma fotografia do mundo, nem sequer a imagem e o som que nesse instante gravavam as câmaras de televisão, poderia reflectir aquilo ou interpretá-lo - amoralidade geológica, dissera Olvido certa vez falando de outra coisa, embora talvez fosse da mesma, impossível fotografar o bocejo indolente do Universo. - E dessa forma, para Faulques, chegou o fim de trinta anos de fotografias de guerra.

Vivre sa vie


"- A lei diz que o que há de mais belo é conservar a calma o mais possível nas desgraças e não se indignar, uma vez que não se sabe o mal e o bem que há em tais acontecimentos, nem se adianta nada, positivamente, em os suportar com dificuldade; nem tudo o que é humano merece que se lhe dê muita importância; e o que poderá acudir-nos o mais depressa possível é entravado pelo desgosto.
- A que te referes?
- À reflexão sobre o que nos aconteceu; e tal como quando se lançam os dados, assim devemos endireitar as nossas posições, pelo caminho que a razão escolher como melhor, e, se nos baterem, não devemos fazer como as crianças, que levam a mão ao sítio da pancada e perdem o tempo a gritar, mas acostumar a alma a ser o mais rápida possível a curar e a endireitar o que caiu e adoeceu, eliminando as lamentações com remédios." 

Platão, A República, 604c, tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Título de Jean-Luc Godard.

Blog, Bomba Inteligente

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez, pág.147

E como escolhes, perguntou Faulques. Refiro-me a se disparas ao acaso ou seleccionas os alvos. Então o sérvio expôs uma coisa muito interessante. Nisto não há acaso, explicou. Ou havia muito pouco: o necessário para que alguém decidisse passar por ali no momento certo. O resto era coisa sua. A alguns matava-os, a outros não. Tão fácil como isso. dependia da forma de andar, de correr, de parar. Da cor do cabelo, dos gestos, da atitude. Das coisas a que os associava ao vê-los. No dia anterior tinha estado a apontar para uma rapariguinha ao longo de quinze ou vinte metros e, de repente, um gesto casual desta fê-lo pensar na sua sobrinha pequena - nesse ponto, o franco-atirador abriu a carteira e mostrou a Faulques uma fotografia familiar. - De modo que não atirou sobre ela, escolhendo em troca uma mulher que estava perto, debruçada a uma janela, quem sabe, talvez à espera de ver como matavam a rapariga que caminhava distraída e a descoberto. por essa razão dizia que isso do acaso era relativo.

O fotógrafo


Thomas Hoepker tirou uma fotografia no dia 11 de Setembro de 2001. Nela podemos ver um grupo de cinco pessoas sentadas num paredão em Brooklyn, com as nuvens de fumo das Torres Gémeas do lado oposto. Há dez anos, naquele dia comum de sol e céu azul, três mil pessoas eram assassinadas em Nova Iorque. Jonathan Jones conta no Guardian que a fotografia não foi incluída num livro sobre o 11 de Setembro porque Thomas Hoepker não o permitiu. A imagem era incómoda. Por que pareciam as cinco pessoas tão descontraídas perante o horror? Em 2006, o fotógrafo mostrou a imagem ao mundo. As críticas não se fizeram esperar. Ao grupo sentado em Brooklyn a olhar para Manhattan, bem entendido. Segundo Frank Rich, num artigo no New York Times na altura, eram indiferentes ou simplesmente americanos. A análise dura à falta de empatia dos presentes também não se fez esperar e várias pessoas saíram em defesa daqueles que afinal nada podiam fazer. Mas ninguém questionou a intenção do próprio Thomas Hoepker, importante fotógrafo da Magnum. Talvez Jonathan Jones tenha razão. A vida é feita de momentos por vezes hediondos. Alguns partem. Para outros, a vida continua.

Blog: Bomba Inteligente

O Pintor de batalhas, Arturo Pérez, pág.136

Olvido gostava de estar com Faulques e dizia-lhe. Gosto de ver como te moves, com essa cautela de raposa, focando com antecedência, preparando mentalmente a fotografia que vais tirar, antes de tentar tirá-la. Gosto de ver as tuas calças de ganga coçando nos joelhos e as tuas camisas arregaçadas sobre o teu corpo magro e duro, e de te ver trocar as objectivas ou os rolos encostados a um tapume, enquanto disparam sobre nós, com os mesmos gestos de concentração que um soldado utiliza para trocar o carregador da sua espingarda. Gosto de te ver em quartos de hotel com um olho colado ao conta-fios, marcando as melhores imagens dos teus negativos apoiados contra a luz no vidro da janela, ou passando horas em cima das cópias com a régua e marcador, seleccionando o enquadramento, anotando instruções enquanto calculas por onde o editor dobrará a página. Gosto que sejas tão bom no teu trabalho e que uma lágrima nunca te tenha feito perder a focagem da máquina. Ou que isso não transpareça.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez-Reverte, pág.129

Nunca mencionou em voz alta o que ela lhe confiara, nem falou das suas próprias experiências, excepto como uma graça ou um comentário casual; como quando, ao verificar que nalguns dos melhores hotéis e restaurantes europeus e nova-iorquinos ela era uma cliente conhecida. Faulques insinuou, trocista, que também nos melhores bordéis da Ásia, África e América Latina o conheciam a ele. Então - essa fora a resposta de Olvido -, faz com que eu beneficie disso. Era extraordinariamente perspicaz: sabia olhar para os quadros e para os homens. capaz, sobretudo, de ouvir cada silêncio com muita atenção; como se fosse uma aluna aplicada diante de um problema que o professor tivesse acabado de expor no quadro. Desmontava qualquer silêncio peça a peça, tal como um relojoeiro desmonta relógios. Por isso adivinhava com facilidade o desagrado de faulques na rigidez repentina dos seus músculos, na expressão dos seus olhos, na forma de a beijar ou de não o fazer. Todos os homens são consideravelmente estúpidos, dizia, interpretando o que ele nunca disse. Até os mais espertos o são. E eu não suporto isso. detesto que se deitem comigo pensando em quem se deitou antes ou em quem se deitará depois.

O Pintor de batalhas, Arturo Pérez-Reverte, pág.96

 -Enganou-se diria eu. Creio que ninguém é indiferente.
Também você faz parte do quadro...Não apenas como parte dele, mas inclusivamente como agente. Como causa.
 -É estranho que diga isso.
 -Por que lhe parece estranho?
 Falques não respondeu. Recordava agora, um pouco desconcertado, o que o seu amigo cientista tinha acrescentado quando conversavam sobre o caos e as suas regras: que um elemento básico da mecânica quântica era que o homem criava a realidade ao observa-la. Antes dessa observação, o que verdadeiramente existia eram todas as situações possíveis. Só ao olhar a natureza se concretizava, tomando partido. Havia, portanto, uma indeterminação intrínseca do qual o homem era mais testemunha que protagonista. Ou, clarificando o assunto, ambas as coisas em simultâneo: tão vitima como culpado.

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez-Reverte, pág.93

Cada momento era uma mistura das situações possíveis com as impossíveis, de gretas previstas desde aquele primeiro instante à temperatura de três mil milhões de graus de Kelvin, situado entre os catorze segundos e os três minutos depois do big bang, início de uma série de casualidades precisas que criam o homem e o matam. Deuses bêbados jogando xadrez, acasos olímpicos, um meteorito errante com apenas dez quilómetros de diâmetro que, batendo na terra e aniquilando todos os animais com mais de vinte e cinco quilos de peso, abriu o caminho a mamíferos, então pequenos e receosos, que, sessenta e cinco milhões de anos mais tarde, acabariam sendo homo sapiens, homo ludens, homo occisor.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez Reverte, pág.87

O amigo era um homem de ciência, jovem e inteligente, membro de duas academias e autor de livros de divulgação. Aristóteles, começou este, e faulques interrompeu-o dizendo não me venhas com Aristóteles, caramba. Eu falo da vida e mortes reais. De cheiro a cadáver sob os escombros, de cheiro a morte  que se arrasta pela margem de um rio. O amigo olhou-o em silêncio por uns segundos. Aristóteles, prosseguiu imperturbável, nunca se limitou a expor o que acontecia, procurando sempre o porquê. Para nos compreendermos, dizia, temos de compreender o universo;e, para compreender o universo, temos de nos compreender a nós próprios. O que acontece é que, desde essa altura, muita coisa mudou. Divorciando-se da natureza, os homens perderam a capacidade de consolo face ao horror que espreita ai fora. Quanto mais observamos, menos sentido tudo faz e mais desamparados nos sentimos. Repara que, graças ao desmancha-prazeres de Godel, já nem sequer é possível encontrar refúgio no único lugar que julgávamos seguro: a matemática. Mas atenção. Se não há consolo como resultado da observação, pode havê-lo no acto da própria  observação. Refiro-me ao acto analítico, cientifico, estético mesmo dessa observação. É - Godel à parte - como os procedimentos matemáticos: possuem uma segurança tal, uma tal clareza e inevitabilidade que proprocionam alívio intelectual àqueles que os conhecem e manejam. São analgésicos, diria eu. Dessa forma voltamos a um Aristóteles relativamente maltratado, mas ainda útil: a compreensão, o próprio esforço para compreender, salva-nos. Ou, pelo menos, consola, porque transforma o horror absurdo em leis serenas.

O pintor de Batalhas, Arturo Pérez-Reverte, pág.82

  -Por isso sabe, tal como eu, que quando o desastre devolve o homem ao caos do qual provém, todo esse verniz civilizado estala e solta-se e ele torna-se novamente no que era, no que sempre foi: um rematado filho da puta.

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez-reverte, pág.80

  -Sabe o que julgo de facto?...Que qualquer caçador fica marcado pelo tipo de caça que pratica. E eu passei dez anos a seguir-lhe o rasto. A caça-lo a si.
  Faulques susteve o olhar dele sem abrir a boca. Estava fascinado com a exactidão do comentário. Caçador, tipo de caça, marcas.

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez-Reverte, pág.78

  -Digo que somos malvados e não conseguimos evitá-lo. Que são as regras deste jogo, que a nossa inteligência superior torna mais requintada e tentadora a nossa maldade...O homem nasceu predador, tal como a maior parte dos animais. É o seu impulso irresistível. Voltando à ciência, é a sua propriedade estável. Mas ao contrário do resto dos animais, a nossa inteligência complexa leva-nos a depredar bens, luxos, mulheres, homens, prazeres, honras...Esse impulso enche-nos de inveja, de frustração e de rancor. Faz-nos ser, ainda mais o que somos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Pintor de Batalhas, Arturo Pérez Reverte

As pessoas educadas, dizia, seduzem os outros recorrendo a uma coisa muito simples: falam sempre daquilo que lhes interessa.
 página 62

Kissinger, presidente norte-americano

"Porque as qualidades que ajudam a ganhar as eleições e a ser popular são muito diferentes daquelas necessárias para governar." 

domingo, 11 de setembro de 2011

S.Francisco de Assis

"Comece por fazer o que é necessário, depois faça o que é possível e em breve estará fazendo o que é impossível."